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"Inquietação"
da Editorial Minerva Lisboa - Biblioteca Nacional
Os comboios do Sul
Pára!
pára! está
ali uma mina; contava-me o Francisco, sobre um qualquer
episódio, de um filme de guerra, quando era quase
a 1 hora da madrugada e chegávamos á estação
de Santa Apolónia, vindos do Sul, no barco que liga
o Barreiro a Lisboa. Aquele percurso a pé, desde
o Terreiro do Paço a Santa Apolónia, ajudava
a acordar um pouco da sonolência da travessia do Tejo.
Olhei um cartaz com um comboio do Norte e, qual efeito espelho,
tento reproduzir imagens dos velhos comboios do Sul, a partir
daqueles que ainda existem a Norte.
Choro o meu Sul, que não é o Sul deste canto
de terra, mas sim o Sul imenso deste Planeta, que concentra
a Norte a riqueza e a Sul as lágrimas, que já
não caem pela face, por falta de força das
crianças que choram, apenas rolam, lentamente, pelos
rostos magros, por falta dos alimentos, que ao Norte sobram.
Tento reproduzir a imagem de alegria, de quem esperava os
seus familiares nas chegadas dos comboios e o que me ocorre
é a partida e as lágrimas da despedida.
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